quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Um garotinho! Uma criança de apenas 6 aninhos arrastada pelas ruas do Rio de Janeiro. Uma barbaridade sem limites. Um acontecimento irracional, irreal, e irrefutável que provocou reações adversas em todas as classes, comunidades, famílias...

Em mim, particularmente ao primeiro contato com a notícia, fiquei chocada, perplexa. Chorei, calei e me senti tomada pela vergonha de assistir ao aumento da barbárie em meu país. Vergonha por olhar pra trás e ver que nós não somos como os jovens de ontem... Lutavam pelo que acreditavam e pelo que queriam... corriam realmente atrás do que acreditavam...sem medo, e eu, justamente como a maioria dos meus contemporâneos, somos praticamente incapazes de manifestar o que acreditamos, de lutar "nas ruas" por valores, de provocar ganhos no grito e ou até no braço.

Inacreditável! Sinto muito em reconhecer que perto dos que viveram a ditadura, dos que pintaram suas "caras" e foram as ruas para pedir o impeachment de um presidente da República, a minha geração não representa nada. Não fizemos nada de tão grandioso para entrarmos nos livros de história. Não lutamos contra as injustiças, nem tampouco contra a violência que está inserida neste "mundo cão", que por hora toma conta de nossas ruas, nossos bairros e de nossas cidades.
-Até quando vamos conseguir viver nesta prisão domiciliar? (Sem nem mesmo termos culpa?)
-Até quando vamos vendar os olhos e fingir que nada acontece? Fingir que está tudo como deveria estar e que não há diferença entre morro e asfalto?
-Até quando vamos achar que os Ladrões são somente aqueles marginalizados pelo capitalismo, enquanto em Brasília, alguns vestem gravata e conseguem "enfiar as mãos" no bolso das famílias brasileiras? ( passando, na maioria das vezes, de bons-samaritanos nas telinhas da Globo)
-Até quando vamos ter que abrir mão da liberdade pra conseguirmos (sobre)viver em sociedade?
-Até quando VOCÊ vai fechar os olhos para o que aconteceu a João Hélio? Até quando vai achar isso normal e encarar como mais um ato de violência?
-Será possível que a SUA conscientização só chegue quando uma tragédia dessas acontecer próximo a você? Ou será quando perceber que a vida pra ser segura deve ser vivida dentro das paredes de concreto que o cercam em casa?

É assustador. Eu, mesmo tendo consciência que a profissão que escolhi em súmula retrata a tragédia, não sou capaz de compreender, não consigo achar normal e ou deixar de lado a incômoda sensação pelas notícias que tenho ajudado a emitir e pelas que tenho receptado. É assustador perceber que estou formando com a possibilidade de noticiar mais barbáries como esta. É insano aceitar. É insano acreditar e esperar que a violência, a injustiça e a desigualdade social será – em breve - banida da nossa sociedade como milagre.

Sei bem que somos diferentes das gerações que nos antecederam... Que cada um tem sua maneira de se manifestar e de lutar por uma mudança sócio-economica. Contudo, faço neste momento o que posso, afinal, creio que com essas palavras é mais fácil conscientizar, é mais fácil clamar a atenção dos lideres estudantis para que eles possam promover a união... Para que possam formar a massa e conseqüentemente induzir a formação de um manifesto que demonstre toda essa decepção, essas indignação de ver na TV, ler ou ouvir que "outra criança foi arrastada cruelmente pelas ruas de uma cidade brasileira e que 'parte de seu corpinho foi perdido pelo caminho" (Como informou a Revista Veja do dia 18 de fevereiro de 2007) e que mais de duas semanas depois da barbárie ainda não foi localizada.

Mediante todos esses acontecimentos, de toda ideologia que guardamos no papel, peço a união, a participação em massa de nós, estudantes, jovens... para mostrarmos que somos uma geração que não passará despercebido na história, não somos e nem estamos conformados com o que acontece. Queremos mudar o futuro insano dessa nação, queremos provocar, não uma revolução, mas uma conscientização coletiva.

Pois bem... neste momento deve estar pensando: "-Poxa, que texto legal!" ou então "Se é que acredita tanto no que diz, por que não vai você mesma as ruas?" Porque sozinha sou apenas uma e falo apenas por mim. Com a massificação proposta, e o auxilio de DA's, DCE's.... podemos representar a voz de toda uma sociedade cansada de aceitar e concordar com o insurreição da violência, o abuso de poder e a falta de liberdade dos cidadãos.

João Hélio, de 6 anos, foi arrastado por 7Km.
E AÌ?
NÓS NÃO VAMOS FAZER NADA?

Mais do que a simples recepção da notícia, o que me fez parar pra pensar, foi sem dúvida me deparar com essa campanha - proposta por um publicitário que tem um filho mais ou menos da mesma idade do garoto João Hélio – nas ruas da minha cidade. Será que vamos ser capazes de ficar sentados inertes, enquanto o Brasil, de norte a sul, grita por socorro? Será que vai ser preciso ver uma tragédia dessas acontecer com nossos pais, irmãos ou filhos para sensibilizarmos e concordar que é necessário mudar?

É isso aí, a partir de agora acredito ter plantado uma semente em cada um de vocês que chegou até o final deste manifesto, deste desabafo. Espero confiante que possamos chegar a algum lugar com isso... quem sabe um manifesto em 1º de abril de âmbito nacional, quem sabe no mês de maio, mês das mães. Pois é, como muitos dizem, sonhar é de graça. E eu, como brasileira que sou, sonho com a hora e o dia que nós, os jovens do século XXI possamos sair e lutar, sair e gritar até porque do jeito que está não pode ficar.



sexta-feira, fevereiro 23, 2007

A Brasilidade Das Ladeiras


Subindo ladeiras, seguindo rotas, neste horizonte vejo uma pintura inerte. De traços fortes, claros, inesquecíveis... Inenarráveis. Descendo escadas, dobrando igrejas, de longe... ao descer e passar pela antiga ponte acho o que procuro... Três cabeças, uma só peça de pedra sabão... à direita mais uma ladeira... ao centro três cabeças e uma fonte.
Seja claro... sem ser breve...Seja nada, sempre sendo o que quer. Sendo tudo, sentindo nada, vivendo o hoje... Porque isso aqui é carnaval!
Uma brasilidade inclusa nas ruelas de minas... Por aqui se tem sampa, tem rio, capixaba, tem até um israelense perdido querendo sambar. Minas são tantas que a capacidade de representar, unir, e festejar como aqui, é pra poucos... Foi pra mim. Que apesar de enraizada, de estar nutrida dessa minha “tímida mineirisse”, não havia aproveitado o que estava há pouco mais de 100km.
No primeiro impacto não sei bem o que achar, o que pensar... mas posso dizer que pra tudo o que virá valeu muito a pena. No começo era tudo uma brincadeira e foi tomando a dimensão que nem mesmo eu esperava pra um sábado de carnaval. Um jeito irreverente, descolado, risonho. Sedeu lugar a pessoa mais interessante que passou por mim, tímido, calado, desconfiado... diante de tantas palavras que soltava em sua direção. Mas foi assim...foi quem me desconsertou, atraiu meus olhares, minhas expectativas, aumentou a curiosidade de querer saber um pouco mais diminuindo a possibilidade de continuar há menos de 24 horas havia começado.
Apesar de uma utopica menção a realidade... vivi o presente carnavalesco que conviver com o mundo num ambiente pouco lógico... Caracteristicas diferentes, traços incomuns traziam a curiosidade de poder captar cada "coisa" como tal... de poder entender a diversidade humana presente naquele campo aberto... De ver e calar, de ver e falar, de ver... constatar... analisar inconscientemente, de ver e rir, de ver e sambar...
Um carnaval pra não colocar por quês! Um carnaval pra saudar a juventude irreverente, inerte, quase nada inconsequente... Um carnaval mediante a brasilidade dos povos.. de 'r' de 's' em clima de 'uai'.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Todo Azul do Mar

de Flávio Venturini e Ronaldo Bastos
"Foi assim, como ver o mar. A primeira vez que os meus olhos se viram no seu olhar. Não tive a intenção de me apaixonar. Mera distração e já era momento de se gostar. Quando eu dei por mim nem tentei fugir. Do visgo que me prendeu dentro do seu olhar. Quando eu mergulhei no azul do mar. Sabia que era amor e vinha pra ficar. Daria prá pintar todo azul do céu
Dava prá encher o universo da vida que eu quis prá mim. Tu...do que eu fiz foi me confessar
Escravo do teu amor, livre para amar. Quando eu mergulhei fundo nesse olhar. Fui dono do mar azul, de todo azul do mar. Foi assim, como ver o mar. Foi a primeira vez que eu vi o mar. Onda azul, todo azul do mar. Daria pra beber todo azul do mar. Foi quando eu mergulhei no azul do mar. Foi assim, como ver o mar. A primeira vez que os meus olhos se viram no seu olhar. Não tive a intenção de me apaixonar. Mera distração e já era momento de se gostar. Quando eu dei por mim nem tentei fugir. Do visgo que me prendeu dentro do seu olhar. Quando eu mergulhei no azul do mar. Sabia que era amor e vinha pra ficar. Daria prá pintar todo azul do céu. Dava prá encher o universo da vida que eu quis prá mim. Tudo que eu fiz foi me confessar. Escravo do teu amor, livre para amar. Quando eu mergulhei fundo nesse olhar. Fui dono do mar azul, de todo azul do mar. Foi assim, como ver o mar. Foi a primeira vez que eu vi o mar. Onda azul, todo azul do mar. Daria pra beber todo azul do mar. Foi quando eu mergulhei no azul do mar."
(À quem sabe onde esteve e o que viveu entende o que pego emprestado..)