Era uma vez uma garota que começou o ano de 2007 da melhor maneira possível. Vestiu-se de branco, pulou 7 ondas, agradeceu a Yemanjá pelo ano que acabava, fez a simpatia das sete uvas, abraçou os amigos as 0 hora, viu o sol nascer no primeiro dia do ano, enfim, fez uma recapitulação de tudo que passou, caracterizou as prioridades para o ano que estava chegando e decidiu não se entregar a nenhum encantamento que pudesse fazê-la sofrer.
Seu único problema foi não conseguir mandar em seus sentimentos. Mesmo com a vontade de levar a vida sem se envolver, de priorizar mais que nunca seus projetos profissionais e de pensar somente em seu ultimo ano de faculdade, foi num dia qualquer, durante suas atividades diárias – rotineiras - que se deparou com uma pessoa que em pouco tempo despertou nela um carinho diferente. Um encantamento que há muito não sentia. Algo que por hora podia se dizer fraterno, por outra um sentimento mais envolvente, mais carnal.
Não foi de repente, mas se surpreendeu quando percebeu que estava a um passo de se apaixonar por um amigo seu. A frustração de não “poder” falar o que sentia, o que pensava e de não conseguir explicar algumas reações inusitadas a ele, foi trazendo o receio de vê-lo, a vergonha de que fosse descoberta e que fosse punida com a indiferença do rapaz. A cada dia que passava, essa tal vergonha de estar sentindo o que de fato sentia, foi dando a ela a sensação de que estava traindo a confiança do seu amigo,traindo a credibilidade que estava sendo dada um relacionamento de amizade, quando na verdade, outros sentimentos apareciam.
Num momento de euforia este sentimento ficou evidente. Já no dia seguinte, veio o arrependimento e a vontade de sumir, de se esconder de tudo, de todos, inclusive dele. A sensação de ter feito “merda” não saia dela e seus pensamentos não deixavam de pensar nele.
Algumas coisas mudaram e de certa forma ajudaram, um pouco, para que conseguisse conter este sentimento e guarda-lo de maneira que ninguém pudesse perceber que este foi um encantamento mal sucedido.
O tempo passava, e na memória guardava cada olhar, cada sorriso. Durante este tempo, foi pesado prós e contras, revisto lembranças, ocasiões, mensagens e chegou à conclusão de que não adiantava brigar sozinha, não valia a pena colocar uma amizade em risco só para não perder um “possível amor”.
Tempos depois se surpreendeu, mesmo sem saber por que. Teve medo do que viu, mas gostou. Teve vergonha do que sentiu, mas sentia também que recebia algo em troca naquele mesmo momento. Um momento que trouxe arrependimento por ter sido racional demais, por não ter dito o que queriam ouvir, por não ter feito o que queria fazer e o que esperavam que ela fizesse. Momento este que há muito não sai da sua cabeça, que a fez rever atitudes, pesar conceitos, imaginar como teria sido se fosse diferente e se, de fato “aconteceu” da maneira que sentiu ou se todas essas sensações e conclusões não são mais uma “peça” pregada por um sentimento reprimido.
Era uma vez essa garota....
Era uma vez a chance que poderia ter ... se é que ela existiu mesmo.
Depois de ter pensado ao invés de sentir, depois de ter falado ao invés de agir, percebeu que aquele era o fim de qualquer possibilidade de sucesso, de começo. O orgulho quando ferido não dá “brecha” a uma segunda chance. Se por vergonha esperava por um gesto de receptividade a essa vontade, a esse desejo, por medo deixou a oportunidade passar. Uma oportunidade que certamente, por conhecê-la e conhece-lo, parece mesmo impossível de voltar.
Queria poder ajudar, mas é mesmo difícil entender esses (tais) “HOMO SAPIENS”.