sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Fome de Amor - Arnaldo Jabor

Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegamsozinhas e saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros queestudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, osnovíssimos “personal dance”, incrível. E não é só sexo não, se fosse, eraresolvido fácil, alguém duvída?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e recebercarinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas deum atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber quevão “apenas” dormir abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessamarcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa acarreira, a produção.
Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber comovoltar a “sentir”, só isso, algo tão simples que a cada dia fica tãodistante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site derelacionamentos ORKUT, o número que comunidades como:“Quero um amor pra vida toda!”, “Eu sou pra casar!” até a desesperançada“Nasci pra ser sozinho!” Unindo milhares ou melhor milhões de solitários emmeio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quaseetéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos acada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirãoinfeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais queverdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essaverdade de cara limpa.
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio,démodé, brega.
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecerridículos, abobalhados, e daí?
Seja ridículo, não seja frustrado, “pague mico”, saia gritando efalando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempopra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estoumuito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nuncamais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso àdois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz quese um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais,pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com odedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por serestabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out,que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso meaventurar a dizer pra alguém: “vamos ter bons e maus momentos e uma hora ououtra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eunão pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender peloresto da vida”. Antes idiota que infeliz!

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Estranho seria passar por você e
Não perceber...
Não ver...
Não sentir...
E não desejar estar a seu lado por mais de 12 horas...

Sentimento Unilateral


É estranho.
Depois de tanto tempo com medo de aceitar, de me envolver e de me encantar por alguém, de repente, o gelo se desfaz e me vejo sem reação e sem saber o que fazer.
Por um tempo tive medo de aceitar o que vinha até mim... pessoas que se aproximavam, estavam por perto e me queriam bem. Fechei-me para todo e qualquer sentimento que pudesse me remeter ao sofrimento, à perda, ao fim de um sentimento que superou a todos que o antecederam.

Mas alguma coisa mudou.

E, ao contrário do que se parece, não foram meia dúzia de beijos que o fizeram assim... Mas dúzias e dúzias de palavras, de minutos, horas... nas quais passamos conectados, nos conhecendo, trocando semi-confidencias e por conseguinte encantando.
Até aí, tudo bem, se eu não resolvesse sair desse exílio passional justamente quando a distância fala mais alto que este sentimento unilateral, sem nome, ou significado plausível ao momento. E que me faz estar como uma adolescente diante de seu ídolo...intocável, impossível, irreal. Ou seja, a vivência de um sentimento apresentado a humanidade através das obras de Platão...

Um sentimento novo e sem identificação. Que iludiu por instantes e fez pensar que poderia, que seria provável acreditar em sua realização.
Talvez, e mais uma vez, seja apenas um erro. (Como muitos que vêm apenas para aprender...)

Há dois anos deixei de sonhar, desacreditei que poderia sentir novamente algo que me ligasse a alguém... e quando sinto, os ventos tratam de me colocar a par da realidade, da distancia e da verdade...

Afinal, nada sobrevive ao desconhecido e a distância quando um lado apenas acredita que pode dar certo.