sábado, julho 11, 2009

Hoje de manhã

Hoje, pra variar, acordei pensando em você, peguei um pedaço de papel e nele transcrevi apenas o que você deveria saber ao receber aquele embrulho. Arrumei algumas coisas, tomei um banho, me troquei. Tirei da carteira a "carta" que já estava lá há algum tempo a sua espera, abri seu presente e a coloquei lá dentro junto com outras coisas pra você, fechei o saco prateado com um laço vermelho, coloquei dentro de uma sacola e saí de casa.
Subindo a rua fui pensando se teria mesmo coragem de me despedir de você em silêncio, sem olhar pra você, ouvir sua voz, ou sentir seu cheiro... mas ao mesmo tempo, lá no fundo, sabia que não teria outra saída. Cheguei no correrio (lugar que há tempo não ia) e pedi uma caixa para sedex. Assim foi feito. Arrumei seu presente dentro da caixa e sobre ele deixei um pequeno recado. Fechei a caixa, anotei o remetente e destinatário e retornei a fila. Enquanto as duas pessoas que estavam em minha frente eram atendidas quase desisti, quase me viro e volto atrás, mas dessa vez algo falou mais alto que o coração e lá fiquei.
Chegou a minha vez. Sedex simples? - perguntou o atendente. Simples?! Muito pelo contrário. - pensei. Respondi que sim. Naquele momento ele pegou um largo durex amarelo e azul e começou a lacrar a caixa, de um lado a outro, de cima pra baixo... Meus olhos se encheram de lágrimas, minha voz ficou trêmula e meu coração apertado. É como se estivesse lacrando de vez aquela história, quase dois anos, muita espera, muitas esperanças... Estava difícil de acreditar que eu havia tomado aquela iniciativa, estava orgulhosa de mim, mas sabia que estava prestes a perder o que nunca tive, pra sempre.
(...)